Talvez você seja um cara na casa dos 40 anos, uma moça de 25 ou um adolescente do Ensino Fundamental 2. Mas uma coisa é quase certa: você já ouviu falar da Nintendo — a clássica fábrica de consoles que resiste ao tempo com a teimosia de quem sabe que tem algo especial nas mãos. E se ouviu falar da Nintendo, certamente já viu, jogou ou pelo menos reconhece aquele encanador baixinho e bigodudo que vem encantando — e desafiando — gerações há décadas.
O Mário não é só um personagem de videogame. Ele é uma memória afetiva compartilhada por pessoas que nunca se conheceram, que cresceram em décadas diferentes, em países diferentes, com controles diferentes na mão. Poucos ícones da cultura pop conseguem isso. Ele consegue.
E a história por trás do boné vermelho é mais curiosa do que você imagina.
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ToggleAntes das macacas: a origem improvável de um ícone
Mario fez sua estreia em 1981, no arcade Donkey Kong, criado por Shigeru Miyamoto. Mas ele não era encanador ainda — era carpinteiro. E não se chamava Mario. Chamava-se Jumpman.
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O personagem surgiu como coadjuvante numa história sobre um gorila gigante e uma mocinha em apuros — uma mistura de Popeye com King Kong, nas palavras do próprio Miyamoto. O Jumpman funcionou. O jogo fez sucesso. E a Nintendo percebeu que tinha algo especial naquele personagem rechonchudo que pulava obstáculos com uma obstinação digna de nota.
O boné e o bigode não foram escolhas estéticas — foram soluções criativas para limitações gráficas da época. Os processadores dos anos 80 não conseguiam animar cabelo de forma convincente, então Miyamoto colocou um chapéu. O bigode resolvia o problema de não precisar animar a boca. E as macacas escondiam a necessidade de articular braços e pernas com detalhes que o hardware simplesmente não suportava.
Resultado: um visual que parecia uma solução temporária virou um dos designs mais reconhecíveis da história humana.
E o nome? A história é deliciosa: nos anos 80, a Nintendo enfrentava dificuldades financeiras nos Estados Unidos e devia aluguel ao proprietário dos armazéns onde a empresa estava sediada. Seu nome era Mario Segale. Alguém na empresa achou que seria uma boa ideia batizar o personagem em homenagem ao senhorio. E assim nasceu Mario.
O encanador mais famoso do mundo ganhou o nome de um credor italiano. Se isso não é história de videogame, eu não sei o que é.
Super Mario Bros. 3: quando o Nintendinho virou teatro
O Mario ajudou a salvar a indústria de games após o grande crash de 1983 — aquele momento em que o mercado americano de videogames desabou por excesso de títulos ruins e perda de confiança dos consumidores. Super Mario Bros., lançado em 1985, redefiniu o que um jogo de plataforma poderia ser e colocou a Nintendo no centro do universo dos games.
Mas se o primeiro jogo salvou a indústria, o terceiro a elevou a outro nível.
Super Mario Bros. 3 chegou em 1988 para o Nintendinho e foi amplamente elogiado pela crítica na época — e até hoje é considerado um dos melhores jogos da história. A aventura trouxe inovações que tornaram o terceiro capítulo uma referência definitiva para o gênero de plataforma.
As novidades eram absurdas para a época: oito mundos temáticos completamente diferentes entre si, um mapa de progressão que dava sensação de exploração real, e um arsenal de transformações para o Mario que ninguém tinha visto antes. A roupa de Tanooki. A Super Folha que transformava o encanador num ratonilo voador. O traje de sapo. O martelo. Cada power-up mudava completamente a forma de jogar.
Uma das teorias mais populares — e eventualmente confirmada pelo próprio Miyamoto — é que toda a história do Super Mario Bros. 3 não é real: é uma peça de teatro. As cortinas que sobem para iniciar o espetáculo e descem para encerrá-lo após Mario salvar a Princesa Peach não são coincidência. São parte da narrativa.
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Mario e seus amigos estavam encenando uma aventura para o público. E o público — nós — nunca percebeu. Genial demais.
O jogo vendeu quase 18 milhões de cópias — um número que, para a época, era simplesmente estratosférico. E encerrou o ciclo do Nintendinho da melhor forma possível: com obra-prima.
Super Mario World: o dinossauro verde que ninguém esqueceu
Se o Mario Bros. 3 foi o gran finale do Nintendinho, o Super Mario World foi a abertura de um novo ato — e que abertura.
Lançado em 1990 junto com o Super Nintendo — o SNES —, Super Mario World foi o título de lançamento do console e precisava provar que a nova geração valia o investimento. Ele provou. Com sobras.
O jogo trazia a fórmula consagrada: plataformas, inimigos, castelos, Princesa Peach em apuros e Bowser fazendo o que Bowser sempre faz. Mas a execução foi magistral. Gráficos que aproveitavam ao máximo o poder dos 16 bits do SNES, uma trilha sonora que até hoje as pessoas cantam de cor, e um mapa com segredos que levavam horas para ser completamente descobertos.
E então apareceu o Yoshi. Ele se tornou tão importante que ganhou sua própria franquia. Mas foi naquele 1990 que o dinossauro verde e feliz foi apresentado ao mundo.
Pílula Nerd — muita gente acredita que Yoshi já existia nos planos dos criadores desde os primeiros jogos do Mario. Oficialmente, porém, ele só apareceu no Super Nintendo. Qualquer versão anterior normalmente é hack ou montagem de fã.
Super Mario World expandiu o universo do Mario com um vasto mapa cheio de segredos para descobrir, incentivando a exploração e a rejogabilidade de um jeito que poucos jogos da época conseguiam. Saídas secretas que revelavam novos caminhos no mapa. Fases escondidas. A Star Road. O Special World com nomes de praias australianas e dificuldade que fazia adultos quebrarem controles.
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Tornou-se o jogo mais vendido da história do SNES — o que, considerando a quantidade de títulos extraordinários que o console recebeu ao longo dos anos, é uma afirmação de peso enorme.
O legado que não envelhece
Hoje, em 2026, Mario continua vivo. Mais do que isso: continua relevante.
Tanto Super Mario Bros. 3 quanto Super Mario World estão disponíveis no Nintendo Switch através do serviço Nintendo Switch Online — o que significa que um adolescente de 14 anos pode jogar hoje, pela primeira vez, os mesmos jogos que fizeram o pai ou a mãe passar noites acordados nos anos 80 e 90. E vai entender o hype na hora.
Esse é o teste definitivo de um clássico: resistir ao tempo sem perder a capacidade de encantar. Muitos jogos envelhecem. Mario Bros. 3 e Mario World não envelheceram — amadureceram. Como boa música, como bom filme, como qualquer coisa feita com verdadeira intenção artística.
O boné vermelho já estava lá antes de você nascer. E tudo indica que vai continuar lá muito depois.
Alguns personagens pertencem a uma geração. O Mario pertence a todas elas.
Se o artigo despertou a vontade de jogar, dê uma olhada no nosso guia sobre os melhores jogos baratos da Steam — porque nostalgia boa merece companhia de jogos bons.
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